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Xanxerê decreta estado de calamidade pública após passagem de tornado

Os moradores sofrem com a falta de produtos básicos, como comida e água

Dois tornados devastaram três cidades do oeste de Santa Catarina. Um deles surgiu em Xanxerê, cidade de quase 48 mil habitantes. Os ventos podem ter chegado a 250 km/h. Na terça, o governo de Santa Catarina decretou situação de calamidade pública em Xanxerê.

Outro tornado se formou em Ponte Serrada, que tem 11,5 mil moradores. A ventania na cidade pode ter alcançado 150km/h. A terceira cidade atingida foi Passos Maia, município de 4,3 mil habitantes. Os meteorologistas acreditam que os estragos na cidade tenham sido provocados por um dos tornados que passaram pelas cidades vizinhas.

O Exército vai ajudar na reconstrução das cidades. Depois da destruição, os moradores sofrem com a falta de produtos básicos, como comida e água. Os moradores sofrem com a falta de alimentos, roupas, material de limpeza e higiene. Uma central foi montada para distribuir doações. As famílias atingidas também estão sem água e sem energia elétrica. Ainda assim, muitos moradores preferem passar a noite nos entulhos, com medo de que o que restou seja roubado.

“O que a gente vê aqui é de cinema, é cenário de guerra. Todo mundo foi atingido, não sobrou uma casa de pé”, lamenta a comerciante Kely Paludo.

Duas pessoas morreram nos tornados. O motorista Alcimar Sutil, de 33 anos, conseguiu deixar a mulher e a filha de três meses na van, mas morreu protegendo o filho de 4 anos quando a casa da família desabou. Deonir Conin, de 31 anos trabalhava em uma obra na hora do tornado. Ele chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu.

Ao contrário do que muita gente pensava, não foi um, mas dois tornados que atingiram as cidades de Xanxerê, Passos Maia e Ponte Serrada.

“Foi o encontro de duas massas de ar com características diferentes, uma mais fria vinda do sul do continente sobre uma massa de ar mais quente que estava sobre o estado”, explica o meteorologista Leandro Puchalski.

Esse encontro de massas de ar gerou núcleos de instabilidade. O sistema formou nuvens carregadas. Essas nuvens sugaram o ar, que subiu girando.

O caminhão que tombou na beira da estrada, depois de voar com a ventania, e a casa que foi parar no meio do asfalto não deixam dúvida sobre a intensidade dos ventos. Para os meteorologistas, podem ter chegado a 250 km/h. “O tornado tem uma evolução muito rápida, em questão de minutos, de segundos, ele se forma, se intensifica, causa uma destruição e se desfaz”, explica a meteorologista Laura Rodrigues.

O radar meteorológico é o melhor instrumento de alerta. O único equipamento desse tipo em Santa Catarina está quebrado desde janeiro, e, mesmo assim, não cobre todo o estado. “O oeste de Santa Catarina não está coberto por radar meteorológico, portanto, é uma região onde não se consegue fazer uma previsão de tornado”, afirma o meteorologista.

Os homens do Exército que vão ajudar na remoção dos escombros já estão em Xanxerê. O Ministério do Trabalho informou que vai liberar o FGTS para as famílias atingidas pelo tornado.

Cerca de três mil casas foram completamente destruídas e mais de cem pessoas ficaram feridas, e 21 permanecem internadas, três em estado grave. A maioria dos bairros está destruído, e muitas pessoas estão em casas de parentes, amigos ou abrigos montados na cidade. As famílias precisam de doações, como comida, materiais de higiene e limpeza e materiais de construção.

No final da tarde de terça, cem homens do Exército chegaram a Xanxerê para ajudar na remoção dos escombros e na organização e distribuição das doações.

Do G1