Três Lagoas

Violência sexual em Três Lagoas

Uma nova modalidade de violência sexual tem surgido em todo o Brasil e inclusive em Três Lagoas nos últimos meses. A exposição de vídeos nas redes sociais, com conteúdos sexuais envolvendo adolescentes tem preocupado as famílias, a assistência social e também a polícia.

Em Três Lagoas os casos são atendidos pelo CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e, segundo a psicóloga Mariza Paro Rodrigues de Souza, representam uma violação grave dos direitos das adolescentes envolvidas. Os vídeos também configuram crimes de abuso ou violência sexual.

Mariza contou à equipe de reportagem que em Três Lagoas, apenas em um mês, cinco casos desses foram registrados, nos quais adolescentes, entre 12 e 16 anos, aparecem seminuas ou nuas e na maioria dos vídeos, no próprio ato sexual, com diversos parceiros. Em um dos casos mais graves, o vídeo mostra uma adolescente de 12 anos mantendo relações sexuais com outros sete jovens.

O que acontece é que nos meios sociais dos adolescentes tem surgido uma nova “brincadeira”, na qual um convida o outro para ter relações sexuais, com câmeras gravando. O problema é que aquele adolescente que se nega a participar é excluído e desprezado. Então os jovens acabam cedendo, para serem aceitos.

Os vídeos normalmente são gravados pelos meninos, mas em alguns casos, pelas próprias adolescentes. A postagem dos vídeos nas redes sociais e a exposição das jovens têm causado problemas sérios.

A psicóloga relatou que casos como esse são conhecidos como ‘Sexting’, título que adiciona o prefixo ‘Sex’, de sexo e remete a ‘Texting’ que em inglês significa ‘Mandar mensagem’. Para ela, o principal causador e motivador dessas situações é o grande acesso a tudo e a todos que existe através da internet e, principalmente, às redes sociais.

Mas a “brincadeira” tem consequências. Mariza ressalta que esse tipo de situação, além de expor conteúdos pessoais, também acaba manchando, talvez para sempre, a imagem desses adolescentes. Eles sofrem bulliyng nas escolas e são perseguidos nas redes sociais.

Mariza também lembrou que o acompanhamento profissional psicológico é extremamente necessário, tanto para a adolescente, quanto para a família, que também acaba sendo afetada.

O CREAS, que é vinculado à Secretaria de Assistência Social, atende às adolescentes individualmente e trabalha questões como ‘o porquê’ dessas brincadeiras, ‘a necessidade de participar de grupos assim’, ‘a influência dessas situações na vida pessoal delas’ e, principalmente, ‘a sexualidade’. Após esse acompanhamento, as jovens são encaminhadas à rede, para atendimento de psicoterapia. Mariza relatou que situações envolvendo meninas são extremamente comuns; inclusive casos nos quais as jovens saem de casa e não retornam, durante meses. Em alguns desses casos, as jovens passam por exploração sexual e prostituição.

A psicóloga recomenda às adolescentes e jovens que possam estar passando por situações parecidas, que nunca publiquem conteúdos pessoais e sexuais. “Apesar de parecer legal fazer parte da turma, esse tipo de imagem só vai trazer desvalorização pessoal e vai abaixar a autoestima. A criança vai ficar conhecida pelo seu corpo, não pelas suas qualidades como pessoa”, afirmou. Aos pais, ela recomenda que prestem atenção sobre com quem os filhos andam e aonde vão.

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