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Tres-Lagoense sondado pelo Corinthians já assinou contrato por pasta de dente e sabonete

Um dos destaques do Campeonato Brasileiro, com 7 gols, e nome na pauta de reforços do Corinthians para 2015, ele viveu uma série de aventuras desde que saiu de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, aos 12 anos para tentar a sorte com a bola.

Sua trajetória começou na base do São Paulo, em Cotia, onde começou a treinar depois de ser aprovado em testes. No entanto, a equipe tricolor o repassou para o Paulistinha, clube tradicional de São Carlos, no interior do Estado. Foi lá que ele teve que “assaltar a geladeira” para matar a fome.

“A gente tinha as refeições tudo direitinho, até o café da noite. O problema é que moleque tem uma fome absurda, ainda mais depois de treinar o dia todo, e davam pra gente só um pão com manteiga e um copo de leite. Aí passava um tempo e a barriga roncava, a gente sem dinheiro pra nada… Juntamos eu e os meus colegas de quarto nos juntamos e falamos: ‘Vamos ver o que tem na cozinha'”, recordou Leandro, aos risos, em entrevista à Rádio ESPN.

“A porta era de metal, a gente forçou e conseguiu entrar. Procuramos, mas não achamos nada de bom. Até que vimos um saco de batatas: ‘Ah, vai ser isso mesmo!’. Meia-noite, 1h da manhã, imagina quatro moleques descascando batatas pra fritar e tomar com Toddy pra ver se matava a fome (risos)! A gente não tinha dinheiro pra comprar nada, nem bolacha. ‘Assaltar’ a cozinha era a única alternativa”, completou o centroavante, de 23 anos.

No dia seguinte, o treinador dos garotos disse que as funcionárias da cozinha haviam relatado que o saco de batata estava aberto, e vários dos tubérculos haviam sumido. Com a turma reunida, era a hora de iniciar a investigação e encontrar os responsáveis.

“O técnico ficou olhando pra todo mundo, e nós lá, quietos. Mas ele sabia quem eram os malandros. Olhou pra mim: ‘Leandro, você tá envolvido nisso aí?’ (risos) Resolvi confessar. Não tinha o que fazer, a gente estava morrendo de fome! Mas não deu em nada, tudo seguiu normalmente (risos)”, divertiu-se o atacante, antes de completar, sério.

“Hoje eu conto essas coisas dando risada, mas na hora da fome, dá um desespero que você não sabe o que faz”, afirmou.

Do Paulistinha, Leandro, que à época era conhecido pelo apelido de infância “Banana”, foi para a Ferroviária, da vizinha Araraquara. Depois, perambulou por Mogi Mirim, Capivariano, Icasa e Portuguesa até chegar à Chapecoense, clube no qual alcançou destaque imediato, colocando até mesmo o ídolo Bruno Rangel no banco.

De seus sete gols no Brasileirão, cinco foram marcados contra os chamados times grandes: dois contra o Palmeiras, um contra o Santos e dois contra o Internacional, no estrondoso 5 a 0 aplicado sobre os colorados.

Os gols de Leandro contra a equipe gaúcha devem ter um sabor especial, já que o atleta também tentou atuar na base do Inter quando mais jovem, mas não foi aproveitadao.

Sabonete e escova de dentes

A história de como o camisa 9 conheceu sem empresário, Neto Genovez, também é curiosa. Aconteceu também enquanto ele estava na base do Paulistinha.

Genovez viu Leandro em ação e logo se interessou em gerenciar o atleta. Viu que ele não tinha empresário e avisou que eu breve lhe faria uma ligação.

“Quando ele me ligou, perguntou: ‘Leandro, tudo bem? Está precisando de alguma coisa?’. Falei: ‘Olha, não vou te mentir. Estou, sim’. Hoje, ele dá risada e diz: ‘Achei que você fosse pedir um ‘caminhão’ de dinheiro'”, contou o matador.

O pedido de Leandro, no entanto, foi bem diferente do esperado pelo agente.

“Falei: ‘Tô precisando de sabonete, escova de dentes, pasta, shampoo, tudo isso aí…’. Ele saiu de casa, me pegou no Paulistinha e me levou no mercado. Compramos tudo o que precisava, e também comprei a bolacha que eu tanto queria e não tinha (risos). Foi assim que nos conhecemos e começamos a trabalhar”, recordou.

Agora, o centroavante tem como objetivo seguir marcando seus gols para livrar a Chapecoense do rebaixamento. A equipe alviverde tem 36 pontos, três a mais do que o Botafogo, primeira equipe que aparece na zona da degola. No ano que vem, ele e o lateral direito Fabiano, seu parceiro na equipe de Santa Catarina, podem pintar no Corinthians.

Uma grande vitória para quem teve que fritar batata à 1h da manhã para matar a fome.

“Se me perguntassem se eu faria tudo de novo, digo que sim, porque é o que eu gosto de fazer. Nunca pensei em fazer outra coisa que não ser jogador de futebol. Tudo isso que eu passei foi um aprendizado para a vida toda”, celebrou.

ESPN

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