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Sistema São Mateus é apresentado em vídeo produzido pela Embrapa Agropecuária Oeste de Dourados

A equipe do Núcleo de Comunicação Organizacional – NCO da Embrapa Agropecuária Oeste – Dourados MS, concluiu a edição de um vídeo onde apresenta o case de sucesso do Sistema São Mateus. O modelo, destaque para as demais fazendas, fica na região do Bolsão sul mato-grossense, formada por 11 municípios do leste do Estado, ocupa uma área superior de 8 milhões de hectares. As principais atividades econômicas são a pecuária de corte e a silvicultura. Os solos são arenosos, com baixa fertilidade e geralmente ácidos.

Muitas áreas com pastagens apresentam diferentes graus de degradação. Em alguns casos, a degradação é tão elevada que inviabiliza economicamente a propriedade.

Recuperar e manter áreas com pastagens degradadas requer investimentos em adubos, corretivos e operações mecanizadas, cujos custos representam obstáculos para o produtor.  A falta desses investimentos pode agravar os problemas ambientais e socioeconômicos da região.Em busca de soluções para essas questões, a Embrapa desenvolveu o Sistema São Mateus, que é um sistema integrado de produção, que alia lavouras de soja com produção de pastagens (que fornece a palhada necessária para o plantio da soja) para a pecuária, como uma estratégia de recuperação de pastagem em solos arenosos.

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Júlio Cesar Salton, explica sobre a importância de proporcionar condições para que a soja produza. “ A pastagem que é plantada antes da soja, vai fornecer a palhada, cobertura do solo, além do crescimento de raízes que vai melhorar a estrutura física do solo, dando a possibilidade do sucesso da soja, consequentemente vai oferecer ao produtor recurso de custear total ou parcialmente os gastos com a recuperação da pastagem”.

A correção do solo, associado a boas práticas, resultam no aumento da produtividade de pastagens e lavouras tornando eficiente o sistema de produção. Além do mais, o solo bem manejado apresenta maior equilíbrio biológico com menor ocorrência de pragas, doenças e plantas daninhas.

Outras vantagens do sistema são a menor perda da humidade do solo pela evaporação, maior infiltração da água da chuva e redução das perdas por erosão. Isto tudo resulta em maiores chances de sucesso, mesmo nesses ambientes não tão adequados para o cultivo da soja.

As pesquisas da Embrapa, com a integração da lavoura pecuária no Bolsão sul mato-grossense tiveram início em 2008, visando oferecer alternativas tecnológicas, para essa vasta região.

Mateus Arantes, proprietário da Fazenda São Mateus, comenta que umas das dificuldades é aceitar que é possível fazer lavoura nessa região, segunda profissionalizar a gestão e incentivar o uso de tecnologia através de assistência técnica. “Esse sistema fez encurtar a produtividade da soja, que antes demorava 5 a 6 anos para chegar no teto produtivo razoável de 50 a 60 sacos. E hoje conseguimos fazer isso em 3 anos. Teve um impacto muito grande na pecuária. Antigamente abatíamos os animais de 36 meses. Hoje, os animais são batidos de 24 meses. Na época os animais pesavam 16 arrobas, hoje os animais pesam entre 23 e 24 arrobas, e tudo isso sem suplementação nenhuma, somente a pasto”, explica.

Leda Garcia de Souza, diz que a dificuldade é mudar uma tradição, até então de lidar exclusivamente com a pecuária. “ É uma mudança bastante grande tratar com a agricultura, mas é o futuro e uma questão de tempo, porque os benefícios são muitos e a diversificação nas propriedades é uma tendência”.

 

Soja

A cultura da soja tem algumas características que tornam ela um componente quase obrigatório do sistema integrado, no caso o sistema São Mateus, a cultura da soja tem uma rentabilidade interessante, comparada com outras culturas graníferas, por ser uma leguminosa que tem um potencial de ficção biológica de nitrogênio, vai deixar um aporte positivo para a gramínea cultivada em sucessão. Outras características importantes são as séries de tecnologias disponíveis que vão facilitar o sistema, além de uma variedade muito grande de cultivares recomendadas para a região.

O sistema São Mateus conquistou resultados positivos, para a região do bolsão, e já está sendo pesquisado em outras regiões do Mato Grosso do Sul. No sul do Estado, em Naviraí, a Embrapa firmou uma parceria com a Cooperativa Agrícola Sul mato-grossense – COPASUL, que viabilizou a instalação de uma unidade de referência, de integração lavoura, pecuária e floresta.

“A região sul do Mato Grosso do Sul, tem como características solos de textura média arenosos. Solos que são ocupados por pastagens, região de pecuária de corte muito tradicional, mas enfrenta problemas sérios de degradação das pastagens. Essa preocupação manifestada pela COPASUL, seus associados e produtores, nos levou a tentar levar alguma alternativa, para recuperar essas pastagens e intensificar a produção de grãos nessa região. A experiência exitosa desse sistema São Mateus foi adaptada para essas condições, em que está sendo cultivado a soja e também o milho safrinha, coassociados com forrageiras. Atendendo também a uma outra expectativa, de maior intensificação da produção, foi inserido sistemas com árvores, eucaliptos, buscando então constituir um sistema integrado lavoura pecuária e floresta”, explica Júlio Salton.

O envolvimento de produtores rurais e cooperativistas interessados em diversificar a produção, com foco nas melhorias nos índices zootécnicos, regionais e na sustentabilidade ambiental é fundamental para as pesquisas.

“Em função do sucesso de alguns produtores, inclusive cooperados, deu uma certeza para o grupo, de tomar a decisão de implantar esse sistema de lavoura pecuária dentro da fazenda. Hoje não dá para viver com uma só atividade, tem que ter as duas, tanto pecuária quanto a agricultura, as duas se completam”, afirma Márcio Marinho Carneiro, gerente agrícola da Fazenda Vaca Branca, Naviraí- MS.

Assistam o vídeo do Sistema São Mateus clicando aqui:https://www.youtube.com/watch?v=bA3Cn3L1nLg .

Rafael Furlan