- Destaque Três Lagoas

Sindicância vai apurar recusa no atendimento médico a jovem

A Prefeitura de Três Lagoas abriu sindicância para apurar possível negligência da equipe de plantão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que negou assistência médica ao jovem Fernando Pinheiro da Silva, de 27 anos, que morreu na madrugada do último sábado (2) com suspeita de dengue.

A administração municipal informou que apura as causas da morte e também a suspeita de negligência.

Na nota à imprensa divulgada pela prefeitura consta que embora tenha sido emitida uma liminar pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ/MS), determinando a suspensão da greve de enfermeiros e técnicos de enfermagem, alguns funcionários não cumpriram a ordem judicial e paralisaram o serviço.

Ainda de acordo com a prefeitura, o descumprimento dessa determinação também será apurado e medidas previstas em lei serão tomadas.

CASO
Fernando morreu na madrugada de sábado (2) depois de apresentar sintomas de dengue e ter o atendimento médico negado na UPA de Três Lagoas.

A esposa do jovem contou na delegacia que por volta das 10h de sexta-feira (1º), Fernando apresentava febre, vômito, dores de cabeça e no corpo. Ele foi levado para o UPA, onde foi atendido por um médico que receitou Dipirona e outro medicamento que a mulher não soube informar. O médico também pediu exame de sangue, esperou baixar a febre e liberou o rapaz por volta das 13h.

Cerca de 1h30min depois, a mulher voltou à UPA com o marido porque ele piorou. Desta vez, foi atendido por uma médica que disse que o resultado do primeiro exame de sangue estava normal e pediu um hemograma completo. Também administrou soro das 16h às 17h40min, manteve a medicação da primeira receita e liberou o jovem, recomendando que ele tomasse bastante soro em sua residência.

Fernando não teve febre em casa, mas reclamou que a dor no corpo piorou. Passou a ter diarreia e surgiram manchas no corpo. Já na madrugada de sábado, passou a ter diarreia com sangue e dificuldade para respirar.

A esposa e um amigo de Fernando o levaram novamente à UPA, onde foram barrados na porta por um servidor que confirmou que tinha médico no local, mas disse que a equipe não atenderia ninguém mais naquela madrugada. A mulher insistiu e justificou que seu marido não conseguia respirar, mas o funcionário retrucou dizendo que não poderia fazer nada.

A mulher e o amigo então levaram Fernando para o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora. O jovem, que estava com muita dificuldade para respirar, foi levado para a sala de reanimação, mas morreu cerca de 40 minutos depois.

Ainda segundo a esposa, um médico do hospital disse que Fernando deveria ter sido internado e, em hipótese alguma, medicado com Dipirona por conta da suspeita de dengue.

 

Correio do Estado