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Para evitar manifestação vazia, PT faz prévia em evento de 1º de abril

O PT não quer evitar uma contagem comparativa entre as manifestações que promove em apoio do seu governo e a que ocorre pela participação voluntária da população.

Os tempos mudaram junto com as consciências. O povo vem amadurecendo e introjetando a democracia. Os receios estão se esmorecendo e as bandeiras empunhadas por antigos políticos são cobradas em atitudes dia a dia.

O PT da década de 1980 atraia multidões às ruas que seguiam na esperança de um governo ético, transparente, de mudanças. O PT não conseguiu cumprir o PT. A única coisa que não mudou no partido foi a capacidade de fazer belos discursos e imputar aos outros seus próprios desacertos.

Assumindo o comando do país em 2003, com Luiz Inácio Lula da Silva nestes 12 anos não conseguiu implantar a tão sonhada moralidade política, não resolveu os grandes problemas nacionais (exceto o projeto social aos quais melhorou e deu continuidade – mas que tem que renovar a cada dia porque não apresentou soluções a longo prazo, restringindo-se a matar a forme dia após dia sem permitir que os atendidos consigam vislumbrar um futuro de crescimento pessoal e social), causou fissuras na economia sólida que herdou.

Mas tudo foram erros alheios. Em busca de um “fim” utopicamente perfeito, usou de todos os vícios em seus meios. Agora, ainda não assume a culpa pelos 39 ministérios, vinte ou mais deles dispensáveis pelo bem da Nação. Agora não foi leniente em seus acordos espúrios. Não, atribui o “cretinismo parlamentar” – expressão cunhada por Karl Marx (Dezoito Brumário) e comumente usada por Lenine, para definir os oportunistas.

A militância petista ainda sonha, ainda se deixa levar pelos seus dirigentes, esses mais pragmáticos. E foi sonhando que saiu às ruas no dia 13 de março, imaginando uma multidão feérica a lhes acompanhar. Usou de suas massas de desvalidos sem-terra – aqueles a quem não explica sua própria existência após 13 anos de governo petistas – para tentar lotar algumas quadras de ruas. Não conseguiu.

Veio o 15 de março, as ruas lotadas pelas mais diversas vontades, desde as mais condenáveis que pediam o retorno de uma ditadura militar de triste memória, até os grupos daqueles que se locupletam da corrupção que gritam contra, mas de uma inegável maioria de brasileiros simples, com o único objetivo de poder sonhar com um país justo para seus filhos e netos, quiçá para eles.

E o PT, sem perder a verve discursiva, buscou minimizar. Não foi possível explicar ao povo que ele não estava lá, ou ainda, que só estavam lá porque foram manipulados por grupos golpistas. ??interrogações?? Ainda isso?

Enfim, como os erros servem de lição, pelo menos com esse erro o PT parece ter aprendido. Antes de se lançar às ruas, resolveu contrapor a marcha marcada para o dia 12 de abril, com reuniões em locais fechados, próprios para o convencimento dos – a cada dia menos – seus.

As primeiras ações ocorrerão hoje (1), em uma das mais aguerridas células petistas, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, com a presença (prevista) do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deverá fazer um eloquente discurso em defesa do governo Dilma.

Outras mobilizações estão previstas pelo país, mas disfarçadas de repúdio aos 31 anos da “Redentora”. Rui Falcão disse, sem mencionar o apoio ao governo petista: “O que defendemos é democracia sempre mais, ditadura nunca mais.” E completou quando questionado se essa manifestação seria um termômetro para a manifestação em apoio à Dilma que pretendem organizar antes da manifestação marcada para 12 de abril: “Não estamos fazendo guerra de quem põe mais gente na rua”.

Enfrentando a maior das crises desde sua criação, o PT divulgou ontem (31) um manifesto assinado por 27 representantes estaduais do partido, no qual defende que a legenda se distancie do “pragmatismo pernicioso” que se diz “envolvido” (inocentemente, talvez) e que seus militantes não deem trégua ao “cretinismo parlamentar” (olha ele aqui novamente). Não explicaram, mas talvez ai estejam os 300 picaretas mencionados por Lula em tempos anteriores.

Rui Falcão, Dilma Rousseff e Lula. O PT parte para o ataque

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