Três Lagoas

Fibria prevê mercado de celulose mais forte

O mercado global de celulose, que tradicionalmente é mais aquecido no fim do ano, poderá se mostrar ainda melhor do que o esperado para um quarto trimestre na esteira da combinação de alguns fatores positivos, na avaliação da direção da Fibria, maior produtora mundial de celulose de eucalipto.

Além de um aumento de preços anunciado para outubro, e que está sendo aplicado, a Stora Enso informou ontem que Montes del Plata, produtora de celulose no Uruguai que entrou em operação em meados deste ano, deve produzir menos do que o previsto até dezembro, contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda.

“O mercado no quarto trimestre será melhor do que o do terceiro trimestre. Estamos implementando o aumento de preço e todas as regiões se comportaram muito bem [entre julho e setembro]”, afirmou o diretor comercial e de logística internacional da Fibria, Henri Philippe van Keer, em teleconferência com jornalistas para comentar os resultados do terceiro trimestre.

Conforme o executivo, a companhia já tinha uma boa avaliação quanto aos três últimos meses do ano, em razão da sazonalidade e dos anúncios de fechamento de fábricas neste ano. Agora, com a notícia de que a joint venture entre Stora Enso e Arauco no Uruguai deve produzir menos do que o previsto em 2014, a perspectiva pode ser ainda mais positiva.

Conforme a Stora Enso, a unidade está operando em ritmo inferior ao esperado e a fatia que cabe à companhia sueco-finlandesa na produção deste ano ficará entre 245 mil e 275 mil toneladas, o que implica redução de 55 mil a 75 mil toneladas em relação aos volumes originalmente esperados.

Em setembro, a Fibria anunciou um reajuste, válido a partir de 1º de outubro, que elevou a cotação da celulose de fibra curta na Europa a US$ 750 por tonelada, na América do Norte a US$ 840 por tonelada e na Ásia, a US$ 640 por tonelada.

O anúncio foi sustentado por condições favoráveis de demanda e pela saída de pelo menos 600 mil toneladas da matéria-prima do mercado, com o fechamento de duas fábricas, nos Estados Unidos e na Espanha. “Esperamos ter o aumento implementado em todos os contratos até novembro. Mas essa é uma avaliação nossa, porque o mercado é muito dinâmico”, acrescentou o executivo da Fibria.

No terceiro trimestre, a companhia registrou prejuízo de R$ 359 milhões, frente a um lucro líquido de R$ 57 milhões um ano antes. O resultado foi influenciado sobretudo pelo impacto negativo, não caixa, da alta de 11% do dólar no fim do trimestre sobre a parcela da dívida que está denominada em moeda estrangeira, o que elevou as despesas financeiras líquidas para R$ 785 milhões – frente a R$ 226 milhões no terceiro trimestre de 2013.

Ao mesmo tempo, a receita líquida trimestral da produtora de celulose caiu 5%, para R$ 1,746 bilhão, e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado recuou 20%, para R$ 613 milhões. Esse desempenho deveu-se à queda dos preços da celulose e a despeito do aumento de 5% no volume de vendas, para 1,372 milhão de toneladas, um recorde para a companhia no intervalo. A produção no trimestre ficou estável em 1,345 milhão de toneladas.

Em conversa com jornalistas, o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, reiterou que a companhia pretende submeter o projeto de expansão da fábrica de Três Lagoas (MS) à avaliação do conselho de administração ainda em 2014. “Estamos caminhando dentro do cronograma e devemos submeter uma avaliação ao conselho ao longo dos próximos dois meses. Estamos em linha com a premissa de levar a avaliação até o fim do ano”, afirmou.

A nova linha de celulose da Fibria em Três Lagoas deve ter capacidade instalada de 1,75 milhão de toneladas por ano, elevando a 3,05 milhões de toneladas anuais a capacidade total da unidade. Os investimentos no projeto não devem ultrapassar US$ 2 bilhões, segundo estimativa inicial, e o início de operação poderá ocorrer entre o fim de 2016 e início de 2017.

Valor Online

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