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Evento sobre autismo traz para o município metodologia comportamental

Quanto antes for feito o diagnóstico e iniciar o tratamento melhor é o desenvolvimento da criança com autismo
“O autismo causa prejuízos na comunicação social e apresenta comportamentos estereotipados repetitivos
Laís Cury

Grupo de pais com filhos autistas promove evento com tema “Manejo de Transtorno do Espectro Autista”. O evento foi realizado no último sábado (02) no Sinted contou com a participação da psicóloga Laís Pereira Cury, especialista.

 

TRANSTORNO

Segundo a psicóloga o autismo é um transtorno neurobiológico, que ainda não possui causas conhecidas. “Sabemos que existe questões genéticas envolvidas, que o autismo causa prejuízos na comunicação social e apresenta comportamentos estereotipados repetitivos”, Laís explicou que tudo isso prejudica o aprendizado do indivíduo.

COMPORTAMENTO

Segundo a especialista a abordagem que mais tem sido utilizada para trabalhar com autistas no mundo sito é com enfoque na mudança de comportamento e ambiente.

“Psicólogos adotaram a metodologia, mas nosso foco é apresentar para os professores utilizarem no dia a dia em sala de aula. Estamos apresentando algumas técnicas além da base teórica para ser aprendido e aplicado. Por que esta é uma metodologia que da certo”, afirma Laís.

A psicóloga alega que a terapia precisa ser intensiva, para ensinar novas estratégias e modificar o ambiente para modificar o comportamento da criança com autismo.

Geralmente chega a “batata quente” na escola e ninguém sabe como lidar
Ana Terra
Ana Terra afirma que as pessoas que não conhecem o autismo falam que se trata de crianças mimadas e birrentas (Foto: Aurora Villalba)

GRUPO

Ana Terra, que também é psicóloga conta que participa do grupo formado por pais com crianças autistas de Três Lagoas a cerca de um ano. “Seis pais membros do grupo organizaram o evento que reuniu muitos profissionais de vários estados. Aproximadamente 40% da plateia é de outras cidades. Essas pessoas estão buscando conhecimento”.

A psicóloga conta que seu filho foi diagnosticado com três anos, e hoje com dez anos e fazendo tratamento notou uma grande evolução. Ela ressalta que quanto antes iniciar o tratamento melhor é o desenvolvimento da criança.

Ana disse que graças ao tratamento seu filho é um aluno incluso. Que estuda ha três anos na rede municipal de ensino. Para Ana a rede tem uma equipe e professores preparados para atender alunos com necessidades especiais, mas falando de inclusão em geral e sendo bem otimista ela avalia a inclusão da sociedade com nota cinco.

“Sabemos que geralmente chega a “batata quente” na escola e ninguém sabe como lidar. Não chamo de rejeição, é o desconforto de não saber o que fazer, por falta de conhecimento”, alega a mãe, ressaltando a importância do grupo, que foca em trazer informação e fazer com que as pessoas se sintam mais preparadas para atender as crianças com autismo.

Ana nota que ainda existe muito preconceito na sociedade. Ela relata que as pessoas olham e apontam autistas como “crianças birrentas, mal educadas, que os pais não controlam”, e os pais desenformados, ficam com receio de sair com as crianças e a qualquer momento existir um “piti”. Ela reforça que o grupo também serve para acolher os pais que estão perdidos e tristes por terem diagnóstico de autismo.

“Nossa mensagem é: não escondam seus filhos. Quanto mais cedo aceitar o diagnostico e iniciar o tratamento, melhor pra criança. É natural ficar triste, mas é necessário procurar ajuda. Nós acolhemos e ajudamos”, afirmou. Para quem quiser entrar em contato com o grupo Ana deixa o contato do Márcio Anacleto (whatsapp: 99627600).

Esse grupo é maravilhoso, por que você conhece pais na mesma situação
Marilza Machado

ALÍVIO

Marilza Aparecida da Silva Machado, estava no evento por que tem um filho de seis anos, que foi diagnosticado com autismo com quatro anos. Ela iniciou no curso de pedagogia para aprender mais sobre educação especial e as necessidades do seu filho.

“Meu filho fez um ano de terapia até ter o diagnóstico. Eu já imaginava que ele poderia ser autista por que ele tinha problema de socialização, e por que gosta de ficar sozinho, gesticula muito. Quando tive o resultado foi um alivio, todo mundo achava que ele era mimado. Mas iniciamos o tratamento e ele teve um melhor rendimento na escola e ficou mais calmo”, explicou Marilza.

Sobre inclusão, Marilza afirma que as escolas ainda estão longe de serem inclusivas. “A escola atendeu meu filho meio que sem querer. Mas os professores são ótimos, e o problema dele não tem relação com aprendizado, é apenas social”, disse.

Sobre o grupo, ela afirma que aprendeu muito. “Esse grupo é maravilhoso, por que você conhece pais na mesma situação. Tratar o autismo não é barato, e buscar informações com amigos e trocar conhecimento com outros na mesma situação facilita”, relata Marilza.

Psicóloga fala sobre autismo para professores de Três Lagoas e de outros municípios (Foto: Aurora Villalba)

(Com informações de Aurora Villalba)