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Esquema de desvio de óleo vegetal é descoberto e prejuízo chega a R$ 100 milhões

Grupo usava compartimento em tanques da carreta para reservar óleo que era desviado

Esquema de desvio de combustível que envolvia empresas de Campo Grande e Goiás foi descoberto pela polícia e um dos mentores preso nesta sexta-feira (15), no Jardim Imá, em Campo Grande. O prejuízo com os desvios, nos últimos quatro anos, pode chegar aos R$ 100 milhões.A ação criminosa foi descoberta pela polícia goiana e as investigações contaram com equipes especializadas de Campo Grande e de Goiás. Conforme a Polícia Civil, a quadrilha era especializada em desviar óleo vegetal de uma cooperativa situada na cidade de Rio Verde de Goiás.

O esquema era gerenciado pelos campo-grandenses Paulo Kamita, de 38 anos, e Celso Araldi. Com nome falso, Paulo abriu a empresa Lutran Transportes e conseguiu um contrato para transportar o óleo da cooperativa até as indústrias de todo o Brasil.

Para fazer o transporte, a empresa de Paulo locava carretas de outra empresa, a Fercamp, aberta por Celso, também com identificação falsa. A sede da Fercamp fica em Campo Grande.

Para o esquema funcionar, os criminosos instalaram nos tanques reservas das carretas uma espécie de fechamento a controle remoto. Dessa forma, toda vez que o veículo era carregado na cooperativa goiana, os motoristas acionavam botões para que parte do óleo que seria desviado ficasse isolado no tanque reserva.

Depois de carregadas, as carretas eram levadas para o pátio da Lutran Transportes, que fica em Rio Verde de Goiás, e lá os funcionários que participavam do esquema passavam parte do óleo que estava reservado no tanque para outros caminhões.

Cada carreta, segundo a investigação, era carregada com 30 mil litros e pelo menos 8 mil litros eram desviados. Para que o furto não fosse percebido em fiscalizações e até na entrega nas indústrias, a quadrilha coloca glicerina misturada com água e outros produtos químicos para que na pesagem tudo fosse regularizado.

Nem mesmo teste de qualidade feito nas empresas detectava fraude, isso porque o tanque reserva ficava no meio do compartimento de carga, onde as análises de técnicos não são feitas.

PRISÕES

O esquema só foi descoberto porque em março do ano passado dois motoristas da Lutran foram presos em Rio Verde de Goiás tentando burlar uma das balanças de rodovia. Quando interrogados, os funcionário revelaram todo o esquema que envolvia Goiás e Campo Grande.

Na Capital, no Jardim Imá, Paulo foi preso nesta manhã. Documentos e computadores também foram apreendidos. A polícia também foi atrás de Celso, no bairro Cidade Jardim, mas ele fugiu. Documentos foram apreendidos na casa dele.

Paulo foi preso nesta sexta-feira
(Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado)

ALINY MARY DIAS E RENAN NUCCI

Correio do Estado