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Caravana expõe descaso do poder público ao longo dos anos

Pacientes idosos aguardam, na fila, anos, por procedimentos que duram minutos

Pela primeira vez em sete anos, idosos de Paranaíba voltaram a enxergar depois de fazerem gratuitamente a tão esperada cirurgia de catarata, durante a Caravana da Saúde, estratégia de regionalização do Governo do Estado.

A iniciativa, que já fez cerca de 7.500 operações desde março, promete por fim à “fila da vergonha”, na qual 14 mil sul-mato-grossenses aguardam há dez, quinze anos pelo procedimento. Para a população carente, uma solução urgente e bem recebida. Para os mais velhos, a esperança de uma política permanente de atenção ao idoso.

Leônidas Antonio Secato, 73 anos, era carpinteiro, tem cinco filhos e sofria de um tipo grave de catarata, a chamada catarata rúbia, que forma uma carne de cor escura sobre o olho, impedindo a visão. Há sete anos não enxergava nada do olho esquerdo, e o pouco que ainda via, era fosco no olho direito. No ano passado, seu Leônidas conseguiu marcar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) uma cirurgia para voltar a enxergar, mas teve um problema no coração e o procedimento foi cancelado. No último dia 17 de junho, fez um ano desde essa cirurgia para colocação de uma ponte de safena.

Ele entrou na carreta onde o procedimento acontece nervoso e desconfiado. Quinze minutos depois desce pela escada do veículo, coloca o óculos escuro de proteção e para encantado: “Estou vendo! Está tudo bonito, iluminado”, diz com lábios trêmulos. A reportagem acompanhou seu Leônidas até a casa onde mora com a esposa – tábuas de madeira, terra batida no quintal, um poço para retirar água, um fogão à lenha para cozinhar. Ele chora de felicidade ao rever os detalhes de seu equipamento de consertar panelas, seu amigo e meio de trabalho, abandonado desde que a doença apareceu. “Meu filho, fazia dois anos que eu não fazia nada em casa; eu que sempre trabalhei. Eu estou muito feliz [respira para recobrar do choro], e tenho fé em Deus e em Santa Luzia. Agora eu sou feliz de novo”, disse emocionado.

Caravana atraiu milhares de pacientes, em Paranaíba
(Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado)