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Barragem não oferece perigo a Corumbá, MS, se houver rompimento

Risco de repetir tragédia da dimensão de Mariana é descartada, diz DNPM.
Barragem de Gregório fica a 48 quilômetros da cidade, segundo a Vale.

A maior barragem de rejeitos de mineração deMato Grosso do Sul tem alto risco de se romper, segundo a Vale. Porém, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), não há risco de atingir Corumbá, a cidade mais próxima.

Se ocorrer algum incidente, o dano seria apenas ao bioma Pantanal, mas não deixa de ser preocupante. Em nota, a Vale informou que a barragem de Gregório está em condições normais, apesar do risco.

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) afirma que também há risco para a cidade do oeste do estado. “A situação é confortável. Na atual conjuntura, a população de Corumbá pode ficar tranquila”, afirmou o especialista em recursos minerais, Régis Martins Pereira.

As barragens na região de Corumbá passaram por vistorias em 2015. “Fizemos vistorias nas barragens e bacias de decantação em fevereiro e não teve nada de comprometedor”, explicou Pereira.

Em caso de emergência, existe de plano de contingência, que poderá ser melhorado. “A gente vai estudar e ver a possibilidade de exigir uma sirene para compor o plano de contingenciamento”, explicou o especialista.

Leia na íntegra a nota da Vale:

As operações da Vale no Centro-Oeste têm hoje 15 barragens, sendo 14 em Urucum, com duas delas inativas, e uma em Santa Cruz. Todas as barragens estão classificadas na categoria de risco baixo. Vale destacar que, quanto ao volume total do reservatório, 14 barragens são classificadas como de porte muito pequeno e apenas uma como de porte médio. A Vale não usa o processo de flotação nas operações locais, não gerando, portanto, grandes quantidades de efluentes líquidos.

Já com relação ao dano potencial associado, 11 são classificadas como baixo, três como médio e apenas uma como alto. A barragem classificada como de dano potencial alto é a do Gregório, com volume total do reservatório de 9.300.000 m³ e atual em 8.175.000 m³.

A barragem tem projeto, cumpre todos os requisitos legais, seus instrumentos de controle apresentam condições normais e não possui nenhuma anomalia detectada. Está a 48,1 km da entrada de Corumbá.

Importante ressaltar que a Vale projeta, implanta e opera suas barragens de acordo com técnicas de engenharia avançadas e boas práticas internacionais, seguindo rigorosos controles de gestão de segurança e gestão de riscos, realizando inspeções e monitoramento sistemáticos, bem como auditorias externas anuais para identificação de anomalias e garantia das condições de segurança. Neste momento, todas as nossas estruturas estão funcionando em absoluta normalidade, atendendo a todos os requisitos legais vigentes e com todos os aspectos de segurança garantidos.

A Vale reitera que fez uma verificação detalhada das condições estruturais de 115 das barragens mais relevantes da diretoria de Ferrosos, que são construídas de forma convencional, após o ocorrido em Mariana. Nenhuma alteração foi detectada nas inspeções realizadas, que verificaram os seguintes componentes: acessos, reservatórios, cristas, bermas, taludes, drenagem superficial, sistema de drenagem interna, ombreira e sistema extravasor. Nos próximos dias estarão concluídas as inspeções de todas as barragens da Vale. Dezoito profissionais de geotecnia da área de Ferrosos, além de equipes em escritórios da Vale, atuaram de forma emergencial nos últimos dias, contribuindo para a agilidade dos resultados das inspeções.

 

Desastre ambiental
O rompimento da barragem de Fundão no dia 5 de novembro na unidade industrial de Germano, entre as cidades de Mariana e Ouro Preto (MG), provocou uma onda de lama que devastou distritos próximos. O mais atingido foi Bento Rodrigues. Há relatos de desaparecidos, e o número total de mortes ainda é desconhecido.

Inicialmente, a mineradora Samarco havia afirmado que duas barragens haviam se rompido, de Fundão e Santarém. No dia 16 de novembro, a Samarco confirmou que apenas a barragem de Fundão se rompeu. Na verdade, o rompimento de Fundão provocou o vazamento dos rejeitos que passaram por cima de Santarém, que permaneceu intacta.

As causas ainda estão sendo investigadas. A Samarco informou ter registrado dois pequenos tremores na área duas horas antes do rompimento. O Observatório Sismológico da Universidade de Brasília registrou doistremores próximos ao local, de baixa magnitude.

Um engenheiro da Samarco afirmou que umavistoria não detectou risco no local. Mas um laudo obtido pelo Jornal da Globo mostra que já se sabia do risco. “O contato entre a pilha de rejeitos e a barragem não é recomendado por causa do risco de desestabilização do maciço da pilha e da potencialização de processos erosivos”, diz o documento. Para o Ministério Público, isso mostra que houve “negligência” da empresa. A Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) declarou que chegou a recomendar a necessidade de se fazer reparos na estrutura da barragem de Fundão.

Corumbá não corre risco de ser atingida pelos
rejeitos de mineração se barragem romper
(Foto: Reprodução/TV Morena)

Do G1 MS com informações da TV Morena