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Auxiliadora perde verba milionária para compra de equipamento contra o câncer

O Diário Oficial da União divulgou no último mês que o Ministério da Saúde rescindiu o convênio firmado junto ao Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, para a liberação da verba de R$ 3 milhões para a compra do Acelerador Linear – moderno aparelho de radioterapia usado no tratamento contra o câncer.

O investimento, empenhado pelo Ministério da Saúde em junho de 2014 em favor do Hospital, foi conseguido pelo deputado federal Geraldo Resende (PMDB).

O aparelho faria parte do novo prédio que seria construído ao lado de onde atualmente funciona a Oncologia do Auxiliadora em parceria com o ICTL – Instituto do Câncer de Três Lagoas, que possui médicos e profissionais preparados para acompanhar pessoas acometidas da doença.

Em decorrência da gestão compartilhada entre o Hospital Auxiliadora e a Administração Municipal, o Hojemais procurou a prefeita Marcia Moura (PMDB) que falou sobre as intervenções promovidas por ela e o ICTL – Instituto do Câncer de Três Lagoas, com o Ministério da Saúde.

De acordo com a prefeita, houve uma demora e resposta tardia por parte da administração do Hospital Auxiliadora, na liberação do terreno para a construção da nova unidade de oncologia, o que atrasou o cronograma da obra e, por consequência, a desistência do repasse milionário.

“No ano passado, o ministério da saúde percebeu que não havia iniciado nenhuma obra da nova unidade que acomodaria o Acelerador Linear. Houve desistência por parte do Hospital em utilizar a área inicial e o Ministério precisava do CNPJ para liberação”, disse Marcia.

Segundo a prefeita, a administração do Auxiliadora demorou para chegar a uma conclusão de que o novo prédio que abrigaria o Acelerador Linear não seria mais no local do início do projeto.

“Eu vinha intervindo com a administração do Auxiliadora sem sucesso, mas somente após a vinda da Irmã Lúcia é que se deu a autorização do CNPJ, mas que não se permitiria que fosse no mesmo local a construção do prédio”, afirmou Marcia.

A prefeita reiterou ainda que estará em viagem a Brasília levando um novo cronograma e um novo projeto de obras da equipe do ICTL. “Esse retardo por parte da administração do Auxiliadora ocasionou a perda desse valor, mas não vamos parar por aí, vou a Brasília novamente e vamos achar uma maneira de atender à população”, frisou.

Um dos médicos que faz parte do corpo clínico do ICTL, Dr. José Márcio Barros de Figueiredo, falou ao Hojemais sobre a perda dessa quantia significativa para a população três-lagoense.

“O ICTL celebrou um contrato com o Hospital Auxiliadora e esse contrato previa a construção do prédio, mas só daríamos início a partir do momento em que houvesse o desmembramento da matrícula e a concessão do terreno. Como isso não ocorreu e houve demora por parte do atual administrador do Hospital para responder a isso, nós fizemos diversas intervenções junto com a Irmã Lúcia e o poder público, mas não houve tempo hábil e para a minha surpresa fui notificado pelo Hospital hoje – 11 – de que nós havíamos perdido o Acelerador Linear”, explicou Dr. José Márcio.

Ainda de acordo com ele, a fiscalização do Ministério da Saúde foi realizada em Três Lagoas e em audiência pública realizada na última semana, havia sim a iminência e total conhecimento da administração do Hospital Auxiliadora que seria possível a perda desse repasse milionário.

“Importante frisar que houve um descumprimento do contrato por parte do Auxiliadora e trata-se de uma perda lastimável. O Instituto do Câncer de Três lagoas não irá desistir e nós pedimos a população que se tranquilize, pois não deixará de ser atendida e assistida por toda a nossa equipe”,

Procurado pelo Hojemais, em nota, o Hospital Auxiliadora disse que está solicitando na íntegra os motivos do cancelamento do contrato do Acelerador Linear e afirmou ainda que não foram informados oficialmente do referido cancelamento.

Tatiane Gonino
Hojemais Três Lagoas